
Painel realizado pelo MPF e MPT sobre demarcação das terras indígenas/Imagem: Raquel Braga
A COP30 começou nesta segunda-feira (10), em Belém (PA), reunindo líderes mundiais, cientistas, ativistas e representantes da sociedade civil para discutir os rumos do planeta diante da emergência climática. Entre as entidades presentes, destaca-se a Associação Juízas e Juízes para a Democracia (AJD), representada por sua conselheira Raquel Braga, que participa como observadora e integra painéis temáticos sobre direitos humanos, justiça climática e o papel do Poder Judiciário na proteção ambiental. A presença da AJD reforça o papel das instituições democráticas no enfrentamento das desigualdades e na busca de soluções que conciliem desenvolvimento e preservação ambiental.
Os debates iniciais da conferência concentraram-se em três eixos principais: financiamento climático, transição energética justa e adaptação às mudanças climáticas — temas considerados decisivos para o futuro do Acordo de Paris. A cerimônia de abertura foi marcada por discursos enfáticos e apelos por coragem política. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou o papel da Amazônia como “coração da luta climática global” e defendeu uma aliança entre os países do Sul Global. Já Simon Stiell, secretário-executivo da Convenção da ONU sobre Mudança do Clima, enfatizou que “o tempo das promessas acabou” e que o mundo precisa de ações concretas e mensuráveis.
O financiamento climático — o desafio de “quem paga a conta” da transição ecológica — dominou as discussões do primeiro dia. Delegações cobraram maior comprometimento dos países ricos com a mobilização de recursos para apoiar nações em desenvolvimento, especialmente as da Amazônia, região que sofre de forma mais intensa os impactos das mudanças climáticas.
Outro ponto central foi a definição das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), os compromissos de cada país para reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Nesta COP30, espera-se que as nações apresentem suas terceiras rodadas de metas, mais ambiciosas, com o objetivo de limitar o aquecimento global a 1,5°C.
A transição energética justa também gerou debates intensos, com países divergindo sobre prazos para reduzir o uso de combustíveis fósseis e formas de promover uma economia de baixo carbono sem ampliar desigualdades sociais. A transição agroalimentar, voltada à produção sustentável e à preservação da biodiversidade, foi apontada como uma das prioridades do encontro.
Além das negociações oficiais na Zona Azul da ONU, a COP30 conta com uma extensa programação de eventos paralelos, que dão voz a movimentos sociais, povos indígenas e organizações da sociedade civil. A programação segue até o dia 22 de novembro, quando deve ser anunciado um novo pacto global sobre financiamento e mitigação climática — consolidando Belém como símbolo do protagonismo amazônico e da busca por um futuro sustentável.

