AJD lança sua escola de formação para magistratura

Na noite desta última sexta-feira (27), a Associação Juízas e Juízes para a Democracia (AJD) lançou sua escola de formação para magistrados e magistradas, a Escola Juízas e Juízes para a Democracia (EJD). O evento ocorreu na sede da entidade, em São Paulo. O objetivo desta iniciativa é formar uma magistratura com visão crítica sobre os aspectos econômicos, políticos e sociais e que tenha os Direitos Humanos como norte.  

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Em pé e ao centro, o conselheiro José Henrique Torres apresenta a proposta da EJD/Imagem: AJD

Na abertura do evento, o conselheiro José Henrique Torres, um dos principais idealizadores da escola, fez uma saudação aos presentes e realizou uma leitura dinâmica das diretrizes e Projeto Político Pedagógico da EJD, que envolveu a participação de outros membros e membras da associação.  

Em seguida, deu-se início ao debate “Soberania, Desenvolvimento e Política Externa de Trump”, que contou com a participação da jurista Ana Frazão, do economista Luiz Gonzaga Belluzzo, da economista Marta Skinner e a mediação do jornalista Leonardo Sakamoto. Ao longo da conversa, os debatedores falaram sobre o peso que a pauta econômica ainda tem na disputa eleitoral e avaliaram o peso que a questão internacional terá no pleito de 2026. 

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Da esquerda para a direita: Ana Frazão, Luiz Gonzaga Belluzzo, Marta Skinner e Leonardo Sakamoto/Imagem: AJD

Na abertura da mesa, Sakamoto salientou a forma como o Governo Federal abraçou a pauta da soberania, mas manifestou ter dúvidas sobre a capacidade que este tema pode ter de converter votos. “Ainda acho que a economia é o ponto central”, afirmou.  

Em sua intervenção, Ana Frazão falou sobre a necessidade do aumento do gasto público para superação das mazelas sociais e precarização do mundo do trabalho. “Como vamos proteger o trabalho se precisamos aumentar gastos e isso, muitas vezes, vai contra o que manda o atual receituário econômico”, disse. A jurista também refletiu sobre a ascensão de figuras bilionárias em cargos políticos. “A desigualdade econômica é corrosiva para a democracia. Quanto mais bilionários mais eles querem controlar o Estado. É muito significativo ver Trump eleito presidente ou Elon Musk virar ministro”, concluiu.  

Quem também abrilhantou o debate foi o professor e economista Luiz Gonzaga Belluzzo. Em sua participação denunciou a forma como economistas neoclássicos buscam impor a prevalência da economia sobre as demais ciências. “Os economistas neoclássicos querem separar a economia das outras ciências. Mas ela é parte da dinâmica social”. Belluzzo também se dirigiu aos especialistas que sequestram a pauta econômica nos veículos de comunicação. “Eles insistem que o problema do Brasil é gasto fiscal. Sendo que gasto cria renda”, concluiu.  

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Imagem: AJD

Professora aposentada e economista, Marta Skinner concordou com a fala de Belluzzo. “A turma da bufunfa faz as pessoas acreditarem que o problema do Brasil não é a desigualdade, mas fiscal”, afirmou. Ela também acredita que a pauta internacional pode ter um peso diferente nestas eleições. “A política externa nunca teve importância na eleição, mas agora é importante lançar luz sobre essa prática tarifária de Trump”, refletiu a professora.  

Ao fim, Marta saudou a iniciativa da AJD de criar a escola. “Essa escola da AJD é muito importante, pois vai unir pensamentos para formar uma lógica mais humana e com conhecimento”, concluiu. 

Ao término do evento houve uma confraternização entre os debatedores, o público presente e associadas e associados da AJD.